domingo, 6 de fevereiro de 2011

A PESQUISA EDUCACIONAL PARA UM PENSAMENTO COMPLEXO

A pesquisa não é um ato isolado, mas um processo no qual se engaja o sujeito pesquisador, com sua historia, sua cultura, sua formação e suas vinculações a grupos já estabelecidos ou informações, mostra também enquanto processo, a pesquisa é um dinamismo critico e criativo que articula teorias e praticas na compreensão e explicação de um dado cientifico. Mostra ainda que a pesquisa pressuponha um questionamento acerca de um assunto, ao tentar resolver o problema o aluno busca alternativas de solução.
É a pesquisa que, na criação questiona a situação vigente, sugere, pede, força o surgimento de alternativas. É indiscutível falar de uma pesquisa pratica sem expor o profissional diante de uma elaboração teórica no processo cientifico. De acordo com André (2008, p.59)
“Se fazer pesquisa significa produzir conhecimentos, baseados em coleta e análise de dados, de forma sistêmica e rigorosa, o que requer do pesquisador um trabalho com um corpus teórico, vocabulário próprio, conceitos e hipóteses específicos tendo para isto dispor de tempo, de material e de espaço.”
Dentro do principio educativo busca-se questionar o espaço educativo da pesquisa, restringido ao ambiente da escola e da atuação do professor. A pesquisa escolar esta circunscrita no contexto da pesquisa educacional como um elemento constitutivo da construção do conhecimento. Construir conhecimento implica no ato de ensinar e aprender, aqui entendido como criação de possibilidades para que o sujeito chegue sozinho às fontes de conhecimento que estão à sua disposição na sociedade. A sociedade atual é caracterizada pelo desenvolvimento tecnológico, o qual, por sua vez, gera uma acelerada produção e disseminação de informações.
O desafio da pesquisa é justamente captar uma realidade com perfil dinâmico e complexo, no caminho de sua realização histórica, sendo que, na educação, é a múltipla ação de inúmeras variáveis atuando e interagindo em tempo simultâneo com a utilização do grupo como técnica de pesquisa observadora e pressupostos da dinâmica interativa, como fatores de interferência. As técnicas de coleta de dados organizadas no contexto grupal consistem em estratégicas únicas para uma pesquisa ou como complemento de outros instrumentos como observação e entrevista individual. Para André (2004, p.63)
“É evidente que quando o trabalho de pesquisa é realizado em equipe, essa fase torna-se menos penosa, porque os diversos membros do grupo podem colaborar mais ativamente com seus talentos e sua habilidades pessoais, fazendo com que o resultado possa ser atingido em menos tempo e sem tanta dificuldade.”
Os grupos podem ser úteis por transportar os entrevistados para o seu próprio mundo ou situação. As técnicas ou coletas de dados realizadas através do grupo têm em comum a interação do pesquisador e sua equipe junto a pequenos grupos e recebem varias nominações.
O pesquisador, como aquele que exerce a atividade de buscar reunir informações sobe um determinado problema ou assunto e analisá-las, utilizando o método cientifico com a intenção de aumentar o conhecimento de determinado assunto ou ate mesmo descobrir algo novo.
O ato de pesquisa na educação, não pode tentar retirar a importância do ensino e tão pouco criar expectativas, onde possa se achar que ela seja a solucionadora de todos os problemas da escola. E nem tão pouco a hegemonia dada à ação do professor, pode criar um limite para a inserção das práticas da pesquisa.
O papel do pesquisador ou do professor pesquisador desde sua formação deve estar relacionado ao contexto e às praticas pedagógicas e de ensino, então a ação reflexiva sobre a pratica docente e a importância da utilização da pesquisa para tal, terá um sentido. Para André (2008, p. 56)
“O movimento que valoriza a pesquisa na formação do professor é bastante recente. Ganha força no final dos anos 80 e cresce substancialmente na década de 1990, acompanhando os avanços que a pesquisa do tipo etnográfico e a investigação-ação tiveram nesse mesmo período.”
Pode se levar em conta que a preocupação com a formação do professor pesquisador e sua futura atuação, estaria fundamentada na intenção de tirar a educação apenas de transmissão do conhecimento já formulado. E que a pesquisa iria possibilitar aos professores, exercerem um trabalho com os alunos, que vise à formulação de novos conhecimentos ou questionamentos já existentes.
Outra questão persiste na necessidade de saber como fazer a associação do trabalho do professor com o de pesquisador, frente às grandes dificuldades encontradas na realidade das praticas da educação escolar e as suas particularidades, situação que reforça as criticas e tem sido motivo de varias discussões sobre essa temática. Circunstancias essas que não podem ser descartadas e devem ser analisadas exaustivamente, antes de se atribuir e exigir novas funções ou mudança de postura dos professores.
A reflexão sobre a pratica é de fundamental importância, independente se formado ou estimulado a tal atitude, pois é daí que o professor poderá avaliar-se e terá a condição de modificar suas ações, podendo assim fazer jus a grande responsabilidade que lhe foi atribuída. O que não pode ser retirado pelos defensores da dissociação entre o professor e o pesquisador é o espírito de investigação.
Portanto, a definição dos papeis do professor, do pesquisador ou do professor-pesquisador é algo que ainda irá gerar muitas discussões, muito pela dinâmica e particularidades existentes em cada uma das áreas e também pelos interesses que podem existir por parte dos que defendem uma separação dessas atividades e de outros a favor da união.
André (2008, p. 134), diz que:
“O professor reflexivo é, pois, fundamentalmente, um professor investigador, pois, ele e só ele é capaz de examinar sua pratica, identificar seus problemas, formular hipóteses, questionar seus valores, observar o contexto institucional e cultural ao qual pertence, participar do desenvolvimento curricular, assumir a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional e fortalecer as ações em grupo.”
Mas como definir o professor pesquisador? Seria ele, um profissional que conseguiria assimilar todas as características anteriormente expostas?
Essas são questões básicas que deveremos pensar e responder intimamente ou intuitivamente, fazendo uma auto-reflexão e avaliação pessoal.

BIBLIOGRAFIA



André, Marli Eliza D. A. de. Etnografia da Pratica Pedagógica Escolar. 11ª ed. Campinas, SP, Papirus, 2004.

André, Marli. (org.). O Papel da Pesquisa na Formação e na Pratica dos Professores. 8ª ed. Campinas. SP, Papirus, 2008.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

SALTO DEL MONDAY - PARAGUAY




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